Psicoterapia para casais
Nos casamentos atuais, o tradicional lema “até que a
morte os separe” tem sido substituído pelo “eterno enquanto dure”. Para o
psicólogo clínico e doutor em Neurociência e Comportamento pela USP, Julio Peres, essa mudança
de pensamento tornou mais frágil o elo que une o casal. “A visão imediatista e
descartável que tomou conta da sociedade permeia também as relações afetivas.
Essa tendência acabou afastando a ideia de se construir um casamento sólido que
mesmo atravessando uma fase ruim pode sair fortalecido no futuro”, afirma.
Para o
especialista, quando o conflito conjugal é contínuo, há uma tendência em culpar
o parceiro(a) pelos problemas vivenciados. “Muitas pessoas olham apenas o
defeito do outro e entram no que chamamos de processo de vitimização. Em outras
palavras, elas não fazem algo para modificar a situação, pelo contrário, sempre
esperam que o outro faça.” Porém, quando existe a motivação em superar as
adversidades e construir uma nova relação com o mesmo cônjuge, o psicólogo
acredita que a terapia de casal pode ser a solução para abrir novos horizontes e
traçar novos caminhos.
Segundo
Peres, enfrentar as adversidades e assumir a sua responsabilidade em relação aos
problemas do dia a dia é o ponto fundamental na direção do equilíbrio trabalhado
pela terapia. “Quando a pessoa tem disponibilidade para olhar para si mesma e
observar as características pessoais que se repetem nas dificuldades atuais, a
identificação da responsabilidade individual fica mais clara e evita que o casal
desista ao primeiro sinal de que algo não vai bem”, diz.
Ainda de
acordo com o psicólogo, as razões para o desequilíbrio no relacionamento vão
desde a imaturidade de casais jovens até a violência, além do visível aumento
nas taxas de divórcio pela dificuldade dos gêneros em se adaptarem aos novos
papéis no contexto familiar. “Os problemas ocorrem para ambos os lados e, quando
os obstáculos não são identificados e superados, os indivíduos encontrarão as
mesmas dificuldades no segundo, terceiro ou quarto casamento”, inclui.
Dicas para a solução de conflitos
Para
tornar a relação mais saudável, o psicólogo Júlio Peres sugere que o casal
compartilhe algumas perguntas para aprofundar a cumplicidade e ampliar o
repertório para resolução de conflitos. “Isso é importante para que eles possam
se ouvir e buscar soluções para a vida a dois.” Vejam algumas questões que os
casais devem fazer um ao outro:
1 -
Alguns consideram o casamento um contrato legal entre duas pessoas. Outros, com
base religiosa, defendem a ideia de que matrimônio é uma união sagrada e eterna.
Há ainda a opinião de que o casamento é uma oportunidade de dividir a vida com a
pessoa amada. E para você, o que é o casamento?
2 - Como
define companheirismo e cumplicidade?
3 -
Quais os cinco valores que considera importantes em uma relação saudável?
4 - O
que a vida de casado pode oferecer que a de solteiro não oferece?
5 - Qual
a importância de filhos na vida do casal?
6 -
Qual a sua opinião sobre a frase “Nenhum outro sucesso pode compensar o fracasso
no lar” de David McKay?
7 -
Quais são os 10 valores e características que você acha importantes na pessoa
com que você convive?
8 - O
casamento não significa concordar em tudo, mas administrar as diferenças de
forma positiva. Como você poderia fazer isso na prática?
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